quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

A efemeridade da vida

Na correria do dia-a-dia acabamos nos “acostumando” a ver mais e mais tragédias, de todos os tipos, nos noticiários. Crianças, mulheres, homens, casais tendo suas vidas ceifadas por qualquer discussão. A vida foi banalizada. Todos acham que podem interferir na vida alheia e os limites estão cada vez mais rígidos.

Hoje em dia parece que tornou-se “normal” empunhar uma arma e atirar em uma pessoa que estava ao teu lado no cinema, pelo simples fato de que a sessão já havia começado e o colega de poltrona continuava mandando mensagens pelo celular.

Novos companheiros com a paciência cada vez mais reduzida tiram a vida (contando muitas vezes com o auxílio dos pais da criança) diante de qualquer divergência. Como podemos entender o que passa na cabeça de uma mãe que encobre um parceiro que tira vida de seu filho? Ou um pai que ajuda ativamente a madrasta a jogar sua filha de um prédio?

Desde quando é tolerável alguém atropelar um ciclista e dirigir com o corpo agonizante atravessando o para-brisa?

Diante de todos esses absurdos cometidos por pessoas que poderiam estar convivendo conosco, ao nosso lado, e, de repente, se mostram verdadeiros monstros, capazes de qualquer atrocidade em um momento de raiva; parece que estamos sedados e menos sensíveis a todos esses absurdos.

Nos acostumamos a desligar a televisão ou trocar de canal quando estamos fazendo nossas refeições justo no horário dos telejornais.

Mas a efemeridade de nossa vida mostra-se mais evidente quando abrimos um site e vemos a impactante sequência de fotos de uma turista sendo atingida por um raio em uma praia de São Paulo.

Questão de segundos: Mulher correndo de braços abertos em direção ao mar – Um raio – Mulher sendo resgatada por banhistas, já sem vida.

Vi, revi, vi de novo, revi novamente as fotos. São tristes. Lamentáveis. Inacreditáveis. Um momento de alegria sendo transformado em tragédia por uma questão de segundos. Não havia brigas, nem dor, nem embriaguez. Havia felicidade genuína de uma família em férias. Não houve premeditação, apenas coincidência, destino. Estar no lugar errado, na hora errada. No segundo errado.

Essa sensação de que a vida é passageira nos faz refletir, pensar que devemos aproveitar o que pudermos, da forma que pudermos, porque, explicando de forma simples, neste segundo estamos tomando um delicioso banho de mar, e no segundo seguinte, nossa vida pode não estar mais nas nossas mãos.

A vida é uma só. E cada vez mais tenho em mente que devemos vivê-la intensamente. Viver o aqui, agora.

Viver!

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