domingo, 20 de junho de 2010

How to be?


Ontem participei de um debate sobre o filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain", com o posicionamento de dois psicólogos e do público presente. Nunca havia participado de um evento deste tipo e gostei bastante, é interessante observar o filme sob uma óptica diferente, analisar os personagens e acontecimentos.

De noite quando cheguei em casa, assisti outro filme, chamado "Uma vida sem regras", que havia pego mais pelo ator (Roberto Pattinson) e pela expectativa, do que pelo enredo em si, que para falar a verdade, eu desconhecia.

Ambos filmes, a história de Amélie e a de Art, marcaram muito pela questão do relacionamento familiar. Amélie assim como Art são filhos únicos e tem pais que não se sentem nesses papéis, não são afetuosos e desconhecem qualquer vínculo com seus filhos.

O pai de Amélie após a morte de sua esposa e mãe da menina, torna-se mais ausente do que já era e claramente se via obrigado a conversar com a filha, mas nunca prestava realmente atenção no que era dito.

Já os pais de Art são mega ocupados, a mãe uma eterna questionadora da capacidade de seu filho, enquanto o pai vive em um mundo particular, de livros e leituras. Quando Arthur resolve buscar ajuda para melhorar como pessoa e o relacionamento da família, passa a ser ainda mais hostilizado e taxado. Os bordões da mãe de Art são comuns e talvez muitos aqui já tenham ouvido essas mesmas frases:

"Art, eu fico me questionando sobre você..."
"Art, definitivamente tem algo errado com você!"
"Art, fico me perguntando sobre você..."


Chega um determinando momento que Art simplesmente não aguenta mais e pergunta para sua mãe "O que tanto você tem para se perguntar? O que tanto você se questiona?". Art então se rebela e vai viver sua vida, vende tudo e começa absolutamente do zero.

Após alguns dias longe de casa, sua mãe finalmente parece sentir sua falta, liga para ele e dá um recado do pai "ele disse que te ama". Apenas 1 mês fora de casa e Art começa a se apresentar como músico em um bar, junto com dois amigos, sonho antigo, em que ninguém acreditava. Enfim, ao deixar a casa dos pais e se livrar de toda aquela pressão, ele desencantou, se conheceu mais, tornou-se mais responsável e começou a viver.

O que me marcou nos dois filmes e me trouxe algo que não era desconhecido, pelo contrário, já foi tantas vezes debatido e pensando, é o fato de que o pilar de nossa sustentação enquanto adultos, é o que por vezes nos impede de crescer e o peso que não nos permite alçar voos mais altos.

É contraditório e triste que a base de tudo, a família, muitas vezes, ao invés de ser a pedra fundamental, como no caso de Amélie e Art, torna-se a pedra no sapato.

Deixo para vocês a recomendação dos dois filmes: "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" e "Uma Vida Sem Regras".

Tenham todos uma excelente semana.

Beijo grande,

Isa



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